domingo, 31 de maio de 2009

Sonetos em S

Saudade arquitectura

Corre a saudade em mim como água pura
E fresca por bosques e matagais
E eu cascata em vibrante ternura
Em teus braços floresço madrigais

Corre a saudade em nossas estações
Em marés vivas folhas outonais
Nevam acácias, despontam botões
Ondas serenas, doces espirais

E assim correndo em toda a natureza
Já a saudade se rende à madureza
E ao sabor dos frutos, qual doçura

Já dos meus lábios correm para ti
Beijos iguais aos que de ti bebi
E em nós se faz completa arquitectura

Nita Ferreira




Sinto saudade

Sinto saudade de nós e da distância
da mão na mão, dos sonhos partilhados
dos risos sãos e felizes da infância
e dos caminhos a dois palmilhados

E saudade dos ventos cristalinos
tocando nossos corpos ensolarados
dançando em meus cabelos bailarinos
roubando teus beijos neles guardados

Ó saudade, és gruta tão escura
por onde ecoa ausência e amargura
e sonhos verdes em dor desfalecidos

Saudade vai às noites estreladas
roubar a luz das estrelas douradas
e reacender meus sonhos falecidos

Nita Ferreira

AlmaPoesia sempre

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