Que chama, que vulcão, que mar?
Uma chama crepita em pleno ardor
Vem febril meu ser inteiro orquestrar
Numa estranha sinfonia de amor
Com mil notas fulgurantes de luar
Um clarão que eclode e se agiganta
Um vulcão de fogo que inunda o mar
Uma cadência de ondas que encanta
Uma voz que envolve a sussurrar
Meu Deus que chama,que vulcão,que mar
Me compelem neste barco a embarcar
Rumando a uma longínqua visão?
E meu olhar cego de tanta luz
Só por tal sinfonia se conduz
Sorvendo o vapor desta emoção
Nita Ferreira
Redondel
Tranquila e doce a seara de trigo
Dourada em arte e amor ao sol-posto
De linho oscilam velas sem abrigo
Em barcos dados ao mar do desgosto
Um fruto rubro, maduro no cais
Com matizes de fome e saciedade
Um estuário de limos e corais
Ancorado ás esquinas da saudade
Pendurada nas vãs crinas do vento
Por entre brumas do céu padacento
Bem fundo no abismo dos sentidos
Decifrei um fado estranho e secreto
Adejo do amor, o mais dilecto
Redondel dos meus sonhos esculpidos
Nita Ferreira
terça-feira, 16 de junho de 2009
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sua poesia é agradável e suave. Gostei.
ResponderEliminarDécio Bettencourt Mateus