sábado, 1 de agosto de 2009

Sonetos em P









Professor

Despertou em ti como poesia
De rimas coloridas e brilhantes
A missão de educar,quanta magia
Semear flores em prados verdejantes

Rasgando a estrada,a aldeia e a cidade
No peito cultivando a vontade
De o saber levar sempre mais além
Em total entrega como a ninguém

És mão que ensina, ampara e constrói
És peito que afaga, coração que dói
Tocado pelo gume da emoção

Tu és farol do saber percursor
Que à criança te dás em amor
Professor, tens a minha admiração!

Nita Ferreira









Porquê?

Porque me destes estas asas, meu Deus
Porquê, se eu sempre em voos vendavais
Me lanço planando infinitos céus
Cruzando amplos espaços siderais?

Cortai-me as asas e assim me poupais
Das manchas escuras à minha volta
Que ocas vidas de ambulantes jograis
Riscam ao metro a frustração solta

Metros que são quilómetros, diria
Segue em leilão grotesca poesia
Roubando ao poeta o seu sentir

Ele que tem em si o pleno direito
De entregar o melhor que há no seu peito
A quem é razão do seu existir

Nita Ferreira










Poeta

De ti brota tão fresca a palavra
És a sensibilidade a fluir
E a tua alma sempre inspirada
Traz um outro sentido ao sentir

Cada sílaba vai solta no vento
E toca o coração com doçura
Leva tanto e tal carinho e alento
E ganha o luar outra candura

E aqueles belos sonhos de sonho
Que na alma verde ponho e disponho
Ganham mais e melhor, outro sabor

Que estes sonhos são teias da alma
São luz que brota paz, amor e calma
E à vida dão vida com mais cor

Nita Ferreira













Poema de amor e candura

Sem saber pelo amor procurei tanto
Chamei seu nome ao vento tanta vez
E outras tantas meu olhar se fez pranto
Só a brisa afagando a minha tez

Sonhadores sem cansaço a procurar
Meus olhos pelo amor, belos quintais
No turbilhão da vida sem lugar
Curando do peito sentidos ais

Mil vezes olhando o anil do céu
Vislumbrei o amor mesmo a meu lado
Sua luz tomei com toda a ternura

E envolta num musical e doce véu
Presa qual mar que ao céu é ancorado
Fiz-me poema de amor e candura

Nita Ferreira











Pobres sonhos

Pobres sonhos fugidios,ensombrados
Outrora tão luzentes e tão belos
Pobres sonhos perecendo fustigados
Pela fúria de negros pesadelos

Pobres sonhos vivendo já sem cor
Despojados de força e esperança
Rudemente roubados ao esplendor
E ao sentir de minh'alma de criança

E eu a vê-los caindo retalhados
Pelo chão dos caminhos torturados
Já tão cinzenta a sua brancura

Serei capaz, Deus meu, de ir salvá-los
Devolver-lhe a ternura que ao sonhá-los
Guardava em minh' alma tenra e pura?

Nita Ferreira