Professor
Despertou em ti como poesia
De rimas coloridas e brilhantes
A missão de educar,quanta magia
Semear flores em prados verdejantes
Rasgando a estrada,a aldeia e a cidade
No peito cultivando a vontade
De o saber levar sempre mais além
Em total entrega como a ninguém
És mão que ensina, ampara e constrói
És peito que afaga, coração que dói
Tocado pelo gume da emoção
Tu és farol do saber percursor
Que à criança te dás em amor
Professor, tens a minha admiração!
Nita Ferreira

Porquê?
Porque me destes estas asas, meu Deus
Porquê, se eu sempre em voos vendavais
Me lanço planando infinitos céus
Cruzando amplos espaços siderais?
Cortai-me as asas e assim me poupais
Das manchas escuras à minha volta
Que ocas vidas de ambulantes jograis
Riscam ao metro a frustração solta
Metros que são quilómetros, diria
Segue em leilão grotesca poesia
Roubando ao poeta o seu sentir
Ele que tem em si o pleno direito
De entregar o melhor que há no seu peito
A quem é razão do seu existir
Nita Ferreira

Poeta
De ti brota tão fresca a palavra
És a sensibilidade a fluir
E a tua alma sempre inspirada
Traz um outro sentido ao sentir
Cada sílaba vai solta no vento
E toca o coração com doçura
Leva tanto e tal carinho e alento
E ganha o luar outra candura
E aqueles belos sonhos de sonho
Que na alma verde ponho e disponho
Ganham mais e melhor, outro sabor
Que estes sonhos são teias da alma
São luz que brota paz, amor e calma
E à vida dão vida com mais cor
Nita Ferreira

Poema de amor e candura
Sem saber pelo amor procurei tanto
Chamei seu nome ao vento tanta vez
E outras tantas meu olhar se fez pranto
Só a brisa afagando a minha tez
Sonhadores sem cansaço a procurar
Meus olhos pelo amor, belos quintais
No turbilhão da vida sem lugar
Curando do peito sentidos ais
Mil vezes olhando o anil do céu
Vislumbrei o amor mesmo a meu lado
Sua luz tomei com toda a ternura
E envolta num musical e doce véu
Presa qual mar que ao céu é ancorado
Fiz-me poema de amor e candura
Nita Ferreira

Pobres sonhos
Pobres sonhos fugidios,ensombrados
Outrora tão luzentes e tão belos
Pobres sonhos perecendo fustigados
Pela fúria de negros pesadelos
Pobres sonhos vivendo já sem cor
Despojados de força e esperança
Rudemente roubados ao esplendor
E ao sentir de minh'alma de criança
E eu a vê-los caindo retalhados
Pelo chão dos caminhos torturados
Já tão cinzenta a sua brancura
Serei capaz, Deus meu, de ir salvá-los
Devolver-lhe a ternura que ao sonhá-los
Guardava em minh' alma tenra e pura?
Nita Ferreira